Ozempic @DR
A despesa do Estado com medicamentos utilizados no tratamento da diabetes tem registado um aumento significativo nos últimos anos, ultrapassando os 500 milhões de euros num período de cinco anos. Parte deste crescimento estará associado à utilização destes fármacos para perda de peso.
De acordo com dados apurados, os encargos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com a comparticipação deste tipo de medicamentos cresceram de forma consistente desde 2020. Nesse ano, a despesa rondava os 23 milhões de euros, tendo quase duplicado em 2021. A tendência manteve-se nos anos seguintes, atingindo valores próximos dos 100 milhões em 2023 e ultrapassando os 130 milhões em 2025.
Um dos medicamentos mais procurados tem sido o Ozempic, originalmente indicado para o tratamento da diabetes tipo 2. No entanto, a sua eficácia na perda de peso levou a um aumento da procura, incluindo por pessoas sem diagnóstico da doença.
As autoridades estimam que uma parte significativa da despesa possa estar relacionada com a utilização do medicamento para emagrecimento. Esta situação tem gerado preocupação, não só pelo impacto financeiro no SNS, mas também pelo risco de escassez para doentes que realmente necessitam do tratamento.
O custo de cada embalagem ronda os 110 euros, mas com a comparticipação do Estado, o valor pago pelos utentes pode ser bastante reduzido. Ainda assim, o aumento da procura tem causado ruturas de stock em várias farmácias.
O medicamento está indicado como complemento à dieta e ao exercício, sendo geralmente utilizado em fases mais avançadas do tratamento da diabetes. Contudo, a sua utilização fora das indicações aprovadas tem vindo a crescer.
As autoridades têm acompanhado a situação, tendo já sido detetados casos suspeitos de prescrição indevida. Num desses casos, uma profissional de saúde foi investigada por alegadamente ter receitado o medicamento a pessoas sem diabetes, causando prejuízos significativos ao Estado.
O aumento da procura, aliado à popularidade do medicamento para emagrecimento, levanta agora questões sobre a necessidade de maior controlo na prescrição e acesso a este tipo de fármacos.
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