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Condeixa celebra 25 de Abril com regresso de livros apreendidos pela PIDE

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No âmbito das comemorações oficiais do 25 de Abril, o Município de Condeixa-a-Nova inaugura, no próximo dia 25 de abril, a exposição “Uma Biblioteca Móvel Incomoda Muita Gente”. A mostra, que estará patente na Biblioteca Municipal Eng.o Jorge Bento até ao dia 16 de maio, conta uma história marcante de audácia cultural, mas também de repressão
política, ocorrida no concelho durante o Estado Novo.

Na década de 40, um grupo de jovens condeixenses – João Ribeiro, Fernando Geraldo, Mário Varela e Miguel de Araújo – decidiu colmatar a inexistência de uma biblioteca pública na vila. Criaram então uma “biblioteca móvel”, cujos livros circulavam entre residências para levar o conhecimento, sobretudo, a trabalhadores e a jovens.

O projeto, financiado por doações particulares de livros, pela cotização dos leitores e pelas receitas de um baile realizado no Clube Condeixa, rapidamente atraiu o olhar da polícia política. Após uma denúncia do então vice-presidente da Câmara, Fernando Rebelo, a PIDE iniciou um processo de averiguações por suspeitas de ligação ao MUD Juvenil. O desfecho chegou em 1949: interrogatórios na delegação de Coimbra e a apreensão total do espólio.

Durante décadas, perdeu-se o rasto destes livros. Contudo, um “acaso feliz” permitiu recuperar recentemente 143 dos 150 volumes originais. Esta exposição não se limita a ser uma mostra bibliográfica; é antes o reencontro da comunidade com uma memória de resistência e que acontece, simbolicamente, na biblioteca municipal cujo aniversário se celebra, precisamente, a 25 de abril.

O projeto da Biblioteca Móvel surgiu num contexto de profunda repressão intelectual. Durante o Estado Novo, a censura produziu mais de 10.000 relatórios sobre livros, visando silenciar vozes dissidentes e impedir a propagação de ideais contrários à moral do regime.

Enquanto o sistema educativo reforçava valores nacionalistas e tradicionais, a Biblioteca Móvel de Condeixa representava uma das raras formas de resistência, tal como a venda de livros “debaixo do balcão” ou as redes clandestinas de leitura.

“Esta exposição é um tributo à coragem de quem, em tempos de silêncio, acreditou que o acesso à cultura era um direito inalienável. Devolver estes livros a Condeixa, precisamente no dia em que celebramos a Liberdade e o aniversário da nossa Biblioteca Municipal, é um ato de grande simbolismo e de justiça”, destaca Liliana Pimentel, presidente da Câmara Municipal de Condeixa-a-Nova.

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