A semana ainda vai a meio, mas as previsões apontam já para uma nova subida nos preços dos combustíveis. Se a tendência atual se mantiver até ao final da semana, o gasóleo poderá aumentar cerca de 14 cêntimos por litro e a gasolina aproximadamente 11 cêntimos, segundo estimativas avançadas pela Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec).
Esta previsão surge poucos dias depois de um aumento significativo registado no início da semana. De acordo com os dados atualizados pela Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), a gasolina simples 95 subiu 7,1 cêntimos por litro, enquanto o gasóleo simples aumentou 18,2 cêntimos.
Entre sexta-feira e segunda-feira, o preço médio da gasolina passou de 1,705 euros para 1,776 euros por litro. Já o gasóleo simples subiu de 1,635 euros para 1,817 euros por litro, segundo os valores divulgados pela DGEG.
Estes preços médios diários são calculados com base nos valores comunicados pelos postos de combustível e têm em conta as quantidades vendidas no último período conhecido, incluindo descontos aplicados nos postos de abastecimento, como cartões frota ou campanhas comerciais.
Perante a escalada dos preços, o Governo anunciou na sexta-feira uma redução temporária e extraordinária do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) aplicado ao gasóleo rodoviário no continente. A medida traduz-se num desconto de 3,55 cêntimos por litro.
O ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, explicou em Bruxelas que o mecanismo prevê ainda a devolução da receita adicional de IVA quando o preço do gasóleo aumenta mais de 10 cêntimos face ao valor de referência da passada sexta-feira. Segundo o governante, somando o desconto no ISP e o efeito da não cobrança de IVA sobre esse montante, a redução no preço final corresponde a cerca de 4,3 cêntimos por litro.
Este mecanismo poderá também ser aplicado à gasolina, mas apenas caso a subida ultrapasse os 10 cêntimos relativamente ao preço registado a 6 de março.
O aumento dos combustíveis está a ser influenciado pela instabilidade no Médio Oriente. A 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque militar contra o Irão, operação na qual foi morto o ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
Em resposta, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e realizou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas em vários países da região, incluindo Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.
O estreito de Ormuz é uma das principais rotas energéticas do mundo. Cerca de 20% do petróleo transportado por via marítima atravessa este corredor que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã, além de uma parte significativa do comércio mundial de gás natural liquefeito, segundo dados de entidades internacionais.