O Comissário Europeu para a Defesa e Espaço, Andrius Kubilius, visitou esta quinta-feira, 8 de janeiro, o Centro de Operações Aéreas e Espaciais, localizado no Comando Aéreo, em Monsanto, naquela que foi a sua primeira visita oficial a Portugal.
Acompanhado pelo Chefe do Estado-Maior da Força Aérea (CEMFA), General João Cartaxo Alves, o responsável europeu ficou a conhecer o investimento que a Força Aérea Portuguesa tem vindo a realizar no domínio do Espaço, bem como os principais projetos estratégicos previstos para os próximos anos.
Durante a visita, foi apresentada a missão do Centro de Operações Aéreas e Espaciais e os avanços registados na construção da Constelação do Atlântico, o maior projeto espacial da história de Portugal, assim como o desenvolvimento de um hub aeroespacial nacional, que permitirá a produção de satélites em território português em estreita colaboração com o setor empresarial e académico.
A aposta portuguesa na área espacial tem merecido reconhecimento europeu. Em setembro, a Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou a Constelação do Atlântico como exemplo de inovação e cooperação europeia. Agora, Andrius Kubilius reforçou essa visão, referindo Portugal como “um exemplo no desenvolvimento de tecnologia avançada de defesa e do espaço”.
A Força Aérea tem consolidado esta estratégia através de parcerias com entidades como o CEIIA, o CTI Aeroespacial e a Base Tecnológica e Industrial de Defesa, com forte enfoque em projetos de Investigação, Desenvolvimento e Inovação (ID&I).
No âmbito dessas parcerias, foram já adquiridos dois satélites de radar de abertura sintética (SAR), os primeiros da futura Constelação do Atlântico. Um será operado pela Força Aérea e o outro é de sua propriedade. Estes satélites permitirão a obtenção de imagens de alta e muito alta resolução, com capacidade de revisita intradiária, reforçando a monitorização do território e do planeta a partir do Espaço.
Foi igualmente acordada a capacitação nacional para a produção própria de satélites, passo decisivo para a criação de um hub aeroespacial português, envolvendo a Força Aérea, empresas e instituições académicas.
Segundo nota enviada à Beira Digital TV, esta estratégia insere-se no Plano de Voo “Força Aérea 5.3”, que visa a conquista do 5.º Domínio Operacional – o Espaço, o General João Cartaxo Alves explicou “a Força Aérea está em mudança, conforme o Plano de Voo “Força Aérea 5.3”, que visa a conquista do 5.º Domínio Operacional – o Espaço. Para além do contributo fundamental do domínio aéreo, o sucesso da Segurança e Defesa de Portugal só podem ser alcançados através da ação integrada de múltiplos domínios operacionais, dos quais se incluem o Ciberespaço e o Espaço. A visão da Força Aérea visa empregar o poder aeroespacial para potenciar o cumprimento das missões atribuídas e dotar a Força Aérea com capacidade de monitorização que garanta o conhecimento situacional e o controlo da utilização do espaço nas áreas de interesse nacional, no âmbito da Segurança e Defesa, simultaneamente fomentando o desenvolvimento e a integração de novos processos, serviços ou produtos baseados em conhecimento científico e tecnológico e de elevado valor acrescentado”.