Na véspera de Natal, quando as famílias portuguesas se juntam à mesa, a ceia fica este ano mais pesada para o orçamento. Os preços de dois dos principais produtos desta época, o bacalhau e o peru, registaram aumentos significativos desde o início do ano, de acordo com dados da DECO – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor.
O bacalhau graúdo foi um dos produtos mais penalizados. Entre janeiro e 10 de dezembro, o preço por quilograma passou de 15,27 euros para 16,87 euros, o que representa uma subida de 10,48%, equivalente a mais 1,60 euros. Ao longo do ano, o valor sofreu várias oscilações, atingindo o máximo em dezembro e o mínimo em março, quando chegou aos 14,70 euros por quilo.
As perspetivas para o futuro não são animadoras. O Conselho Norueguês das Pescas e a Associação dos Industriais do Bacalhau já admitem novos agravamentos em 2026, associados à redução das quotas de pesca no Mar de Barents e ao contexto internacional. Segundo a AIB, estes fatores deverão exercer pressão adicional sobre a oferta e, consequentemente, sobre os preços.
Até ao Natal, a expectativa é de estabilidade ou de uma ligeira subida no preço do bacalhau, influenciada pelos custos de importação e de transporte. Apesar do atual enquadramento económico, a época natalícia continua a concentrar cerca de 30% do consumo anual deste peixe, muito devido ao seu peso cultural, às campanhas promocionais e às estratégias de marketing.
No ano passado, o consumo de bacalhau em Portugal rondou as 55 mil toneladas, mas a AIB antecipa que este valor seja inferior este ano. Ainda assim, o mercado manteve-se resiliente em 2025, embora as vendas de bacalhau salgado seco tenham registado uma quebra inferior a dois dígitos, refletindo uma maior contenção nas compras e o impacto da subida de preços.
Também o peru ficou mais caro. O preço de um quilograma de perna de peru aumentou 11,53% ao longo do ano, passando de 5,28 euros para 5,69 euros, uma diferença de 0,59 euros. O valor mais elevado foi registado no início de dezembro, enquanto o mais baixo ocorreu em agosto.
Por sua vez, os bifes de peru deixaram de ser uma alternativa mais económica. Entre janeiro e dezembro, o preço subiu 15,54%, ou seja, mais 1,27 euros por quilograma. Segundo a DECO, o valor passou de 8,18 euros para 9,46 euros.
Assim, à mesa de Natal deste ano, tradição e celebração mantêm-se, mas com um custo acrescido para os consumidores.