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Sociedade

Calor extremo agravou mortalidade em Portugal e expôs fragilidades no interior

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Os episódios de calor extremo tornaram-se mais frequentes e severos em Portugal nas últimas décadas, com impacto direto na mortalidade, sobretudo nas regiões do interior. A conclusão é de um relatório europeu sobre saúde e alterações climáticas, que aponta para um agravamento dos riscos para a população, particularmente entre os mais vulneráveis.

Segundo o estudo, a mortalidade associada ao calor aumentou entre a década de 1990 e os últimos dez anos, com destaque para Trás-os-Montes, onde o número de mortes atribuíveis a temperaturas extremas mais do que duplicou. Os dados revelam uma exposição crescente das regiões do interior, onde o envelhecimento populacional, o acesso limitado a cuidados de saúde e condições habitacionais menos preparadas para episódios extremos agravam o problema.

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O Conselho Português para a Saúde e Ambiente considera que estes números evidenciam fragilidades estruturais e defende uma adaptação dos planos de contingência às realidades destas zonas do país, hoje menos contempladas pelas respostas existentes.

O relatório assinala também situações preocupantes noutras regiões. Na Madeira, aumentou significativamente o número de dias de exposição de idosos a ondas de calor, enquanto no Algarve se registou uma subida expressiva da exposição de bebés e crianças muito pequenas a episódios extremos de calor.

Além dos impactos diretos na mortalidade, o estudo alerta para novos riscos associados às alterações climáticas em Portugal, incluindo condições mais favoráveis à propagação de doenças transmitidas por vetores. A Área Metropolitana de Lisboa surge em destaque pelo aumento do risco relacionado com o vírus do Nilo Ocidental, enquanto o Alentejo apresenta níveis elevados de adequação ambiental para transmissão de dengue.

Os investigadores analisaram ainda os efeitos dos incêndios florestais, apontando Coimbra como a região com maiores perdas de área florestal nos últimos anos. Para além dos danos ambientais, o relatório sublinha os efeitos na saúde pública, desde maior exposição ao calor ao agravamento da qualidade do ar.

Citado em comunicado, o presidente do Conselho Português para a Saúde e Ambiente, Luís Campos, afirma que “os dados do Lancet confirmam que Portugal enfrenta riscos climáticos crescentes para a saúde, com impactos desiguais entre regiões e grupos populacionais”, defendendo respostas mais robustas perante a emergência climática.

Entre as recomendações deixadas para Portugal estão o reforço dos sistemas de alerta para ondas de calor, maior vigilância de doenças sensíveis ao clima e medidas para reduzir o risco de incêndios e reforçar a resiliência dos ecossistemas.

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