A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) divulgou as Estatísticas APAV | Vítimas no Feminino | 2022-2024, revelando um crescimento contínuo do número de mulheres apoiadas ao longo do triénio. Entre 2022 e 2024, a APAV assistiu 36.489 vítimas do sexo feminino, passando de 11.410 mulheres em 2022 para 12.681 em 2024, um aumento global de 11,1%.
No mesmo período, chegaram à APAV 70.179 crimes e formas de violência, mais 10,1% face ao triénio anterior, verificando-se que cada vítima foi alvo, em média, de dois crimes simultâneos. A violência doméstica representa a esmagadora maioria das ocorrências (81,2%, num total de 56.966 casos), seguindo-se crimes como ameaça/coação, ofensas à integridade física, abuso sexual de crianças, injúria/difamação e burla.
O perfil demográfico das vítimas mostra que 61,3% eram mulheres adultas, 15% crianças e jovens até aos 17 anos e 10,3% mulheres com mais de 65 anos. A maioria (74,3%) tinha nacionalidade portuguesa, mas o apoio a mulheres estrangeiras aumentou 29,7%, totalizando 5.937 vítimas de várias regiões do mundo. A residência das vítimas concentrou-se sobretudo nos distritos de Lisboa, Faro, Porto e Braga.
Entre 2022 e 2024 foram ainda identificadas 37.122 pessoas agressoras, mais 15,9% do que no triénio anterior, sendo 70% homens. Em quase metade dos casos (47,8%), a pessoa agressora mantinha ou manteve uma relação de intimidade com a vítima, verificando-se também a presença de agressores familiares, como pais, mães e filhos.
Os dados mostram igualmente que muitas vítimas enfrentam violência prolongada: 28,2% procuraram ajuda após dois a seis anos de vitimação, enquanto 1,6% só o fez depois de mais de quatro décadas. Sobre a apresentação de queixa, 53,3% formalizaram denúncia, enquanto 34,9% não avançaram com o processo.
A APAV presta apoio jurídico, psicológico e social, gratuito e confidencial, através da Linha de Apoio à Vítima 116 006 (gratuita, dias úteis das 8h às 23h), bem como pela sua rede nacional de gabinetes e estruturas de proximidade.