Rafael Caldeirinha, professor do Instituto Politécnico de Leiria e investigador do Instituto de Telecomunicações, participou num encontro promovido pelo Presidente da República no Palácio de Belém, com o propósito de recolher contributos técnicos para a prevenção e resposta a fenómenos naturais extremos, onde apresentou uma proposta estruturada sobre comunicações resilientes e recuperação pós-desastre, defendendo uma abordagem integrada das infraestruturas de comunicações enquanto sistema crítico nacional.
O encontro, realizado na sequência da Presidência Aberta nas regiões do Centro do país afetadas pelas recentes intempéries, reuniu mais de duas dezenas de especialistas nas áreas da energia, telecomunicações, comunicações de emergência, ambiente, infraestruturas, clima e proteção civil, que foram convidados a apresentar contributos técnicos orientados para soluções concretas.
“Num contexto de crescente frequência e intensidade de eventos extremos, a resiliência das comunicações deve ser tratada como uma prioridade estratégica nacional. A evidência demonstra que os principais constrangimentos não decorrem da ausência de tecnologia, mas sim da falta de integração, planeamento e governação técnica estruturada. A adoção de um modelo nacional integrado permitirá evoluir de uma abordagem reativa para uma abordagem preventiva, baseada em antecipação, teste e mitigação de riscos”, defende Rafael Caldeirinha.
Na reunião, o professor do Politécnico de Leiria destacou as fragilidades estruturais evidenciadas por eventos recentes, como a dependência energética das infraestruturas, a vulnerabilidade das redes de fibra, as limitações das redes móveis em cenários extremos e a fragmentação do sistema de comunicações.
Como resposta, propôs um conjunto de medidas estruturais, incluindo o reforço da autonomia energética das infraestruturas críticas, a implementação de redundância multi-tecnológica (integrando fibra, rádio e satélite), a ativação de mecanismos de roaming nacional em situações de emergência e a eliminação de pontos únicos de falha na arquitetura nacional de comunicações.
Um dos pontos centrais da intervenção do docente foi a proposta de criação de um modelo de governação técnica que integre, de forma contínua e vinculativa, a comunidade académica e técnica independente no ciclo de vida do sistema de comunicações, desde o planeamento à auditoria e evolução, enquanto “condição essencial para aumentar a resiliência das comunicações em Portugal”.
Adicionalmente, foi proposta a criação de um Modelo Nacional de Resiliência das Comunicações, orientado para uma abordagem preventiva, baseada na monitorização contínua, auditoria técnica e melhoria sistemática, com vista a reforçar a capacidade de resposta do país a eventos extremos.
“A resiliência não é um conceito abstrato, mas uma responsabilidade pública que exige método, continuidade e capacidade de decisão”, salienta o professor.
A participação de Rafael Caldeirinha no encontro evidencia o contributo ativo do Politécnico de Leiria e do Instituto de Telecomunicações na definição de soluções estratégicas para o país, reforçando a ligação entre o conhecimento científico e a decisão pública em áreas críticas para a segurança e resiliência nacional.