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52 anos da Revolução dos Cravos evocados em Tondela

52 anos da Revolução dos Cravos evocados em Tondela @CM Tondela

O Município de Tondela comemorou no último sábado os 52 anos do 25 de Abril, com vários momentos evocativos. A celebração da Revolução dos Cravos iniciou-se pelas 08h30 às portas dos Paços do Concelho com o hastear das bandeiras e a entoação do hino nacional. Já a sessão solene aconteceu depois das 16h30.

Coube à presidente da Câmara, Carla Antunes Borges abrir a cerimónia, lembrando a autarca no seu discurso que o 25 de Abril é “a data fundadora da nossa democracia” e que os “52 anos do mais longo período de liberdade da nossa história” permitiram “consolidar instituições, garantir eleições livres e afirmar Portugal como um Estado de direito democrático”.

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Decorrido mais de meio século da revolução, a edil defendeu que a “democracia não é um dado adquirido”, sendo um “processo contínuo, exigente e, por vezes, vulnerável”, deixando um alerta para a crescente desigualdade entre homens e mulheres.

“Num contexto marcado pela globalização, pela pressão mediática e pela influência crescente das redes sociais, surgem novos desafios que não podem ser ignorados. Entre eles, destaco uma questão particularmente relevante: a evolução das atitudes em relação ao género e à igualdade”, afirmou.

“Se, por um lado, se verificam progressos importantes na afirmação de uma sociedade mais inclusiva, por outro começam a emergir sinais de regressão que merecem atenção séria”, alertou, salientando que “estudos recentes indicam que setores mais jovens da população revelam, em alguns casos, uma revalorização de padrões tradicionais de autoridade e desigualdade entre homens e mulheres”, num “fenómeno que não deve ser desvalorizado, nem simplificado”.

“A proliferação de discursos misóginos em plataformas digitais, muitas vezes normalizados e amplificados, constitui um risco real para os valores democráticos”, aludiu.

Nesse sentido, e atendendo que em causa estão “valores estruturantes da sociedade”, Carla Antunes Borges defendeu que importa afirmar, com clareza, que “a igualdade não é negociável, a dignidade não é relativa e a democracia não é compatível com retrocessos”.

“Cabe-nos garantir que esse legado [de Abril] não é esvaziado, deturpado ou instrumentalizado. Cabe-nos assegurar que as novas gerações compreendem que a liberdade implica responsabilidade e que os direitos conquistados exigem defesa permanente”, referiu.

“Vivemos um tempo de exigência democrática. E é nesse contexto que devemos reafirmar, sem ambiguidades, o nosso compromisso com uma sociedade livre, justa e igualitária. Abril não é apenas um marco histórico. É uma referência ética e política. E é com esse sentido que devemos continuar a construir o futuro”, concluiu a presidente da Câmara no seu discurso.

À exceção do Chega, que não participou na sessão solene por motivos de agenda, o Partido Social Democrata e o Partido Socialista também intervieram.

Pelo PS discursou a deputada e líder da bancada parlamentar na Assembleia Helena Coimbra, que recordou vários números e dados ligados ao Dia da Liberdade “para que a memória não se apague e para os que não viveram o antes do 25 de Abril saibam o que mudou”.

“A democracia, a liberdade e a justiça parecem-nos hoje direitos adquiridos e irreversíveis. E a constituição é o melhor garante de que assim será. Mas não nos iludamos e não apaguemos a memória. Não deixemos de lutar. 25 de abril, sempre!”, afirmou.

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Do lado do PSD, interveio o presidente da União de Freguesias de Mouraz e Vila Nova da Rainha, Adérito Pereira, que leu um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen dedicado ao 25 de Abril, lembrou as lições da revolução e as mudanças que a mesma trouxe para o poder local.

“Faz este ano 50 anos, em 1976, que Portugal estabeleceu oficialmente as freguesias como autarquias locais. E que grande e visionário passo foi dado. Este marco democrático trouxe proximidade do Estado com as comunidades, trouxe autonomia e participação. Isto é celebrar Abril, é celebrar a igualdade entre todos os portugueses que mesmo no lugar mais escondido, têm uma voz, têm um órgão autárquico próximo, têm um presidente de Junta ou União de Freguesias que os defende e acarinha”, realçou.

Já a presidente da Assembleia Municipal, Cristiana Ferreira, sustentou que “celebrar o 25 de Abril é celebrar, simultaneamente, memória e futuro”. “Memória de um povo que soube, num momento decisivo, escolher a liberdade. Futuro com a responsabilidade de honrar essa escolha todos os dias, em cada decisão, em cada gesto público. Porque Abril não é apenas uma data. É um princípio fundador da nossa vida coletiva”, alegou.

“Antes de Abril não existia poder local democrático e foi a revolução e a Constituição que transformaram essa realidade, consagrando autarquias com legitimidade, autonomia e capacidade de decisão. E foi assim que o poder local se tornou um dos pilares da nossa democracia. E é também nas assembleias municipais que essa democracia se afirma com particular exigência porque são um espaço de pluralismo, de debate e de responsabilidade política. São o lugar onde a democracia se torna próxima, concreta e exigente”, acrescentou.

Depois da cerimónia, decorreu um musical em que participaram elementos do Coro Polifónico da Casa do Povo de Tondela, da Sociedade Filarmónica Tondelense, do Coral 7 de Setembro de Arganil e do Orfeão da Santa Casa da Misericórdia de Gouveia.

Este momento chegou a estar agendado para o Largo da República, em frente à Câmara Municipal, mas acabou por ser mudado para o Auditório Municipal devido ao mau tempo que se fazia sentir na altura.

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