O número dois do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP) desviou mais de nove mil euros da estrutura sindical em apenas quatro meses. Confrontado com os factos, admitiu o crime, que já foi remetido para o Ministério Público (MP).
“É verdade”, começou por dizer Frederico Morais, o presidente do SNCGP, após ser questionado pela notícia inicialmente avançada pelo Correio da Manhã. “Foi detetado pelos nossos serviços contabilísticos”, acrescentou.
Ao longo de quatro meses, a partir de setembro do ano passado, o responsável pela secretaria e pela manutenção do edifício do sindicato conseguiu desviar 9.414,92 euros, que usou para proveito próprio.
Inicialmente, os desvios não levantaram qualquer suspeita, explicou Frederico Morais. “Andamos com obras no sindicato, [e ele] era o gestor da parte da secretaria, da manutenção do edifício… É normal que o dinheiro saia”, esclareceu.
Foi só quando o gabinete de contabilidade foi fechar as contas de 2025, algo que o sindicato só faz no final do primeiro trimestre do ano, que se apercebeu que havia quase 10 mil euros em “gastos relacionados com o número dois do sindicato”.
Face ao dinheiro em falta, “foi confrontado por mim e pelo tesoureiro. Não havia muito por onde fugir”: o cartão de onde o dinheiro em causa tinha saído era o que lhe tinha sido atribuído. Ao todo, note-se, há apenas três cartões bancários que dão acesso à conta do sindicato.
Foi pedido ao número dois que justificasse aqueles fastos, mas os esclarecimentos, disse Frederico Morais, “não foram satisfatórios”.
Por isso mesmo, foi emitida uma nota de dívida, que o culpado assinou e que foi reconhecida por um advogado. De seguida, o SNCGP avançou com um processo no MP, afirmando que em causa estava um crime de abuso de confiança agravado (devido à elevada quantia em causa). O caso encontra-se agora em segredo de Justiça.