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“Hamlet, Vozes femininas na Tragédia” sobe ao palco em Poiares para assinalar Dia da Mulher

A Classe de Adultos da Companhia de Teatro Experimental de Poiares (CTEP) apresenta no próximo sábado, 7 de março, às 21h30, no Auditório do Centro Cultural de Poiares, o exercício-peça “Hamlet, Vozes Femininas na Tragédia”, uma releitura da obra clássica de William Shakespeare. A peça tem a duração de 55 minutos e a entrada é gratuita.

O projeto surge no âmbito das aulas de teatro da companhia e mantém uma tradição anual de apresentação pública do trabalho desenvolvido pelos alunos. Segundo Víctor de Freitas, trata-se de um exercício cénico pensado também como desafio formativo para os participantes.

“Esta história é representada pela classe de adultos, é um exercício-peça já tradicional das aulas de teatro, e decidimos este ano apresentar uma tragédia, também para poderem trabalhar o lado mais trágico em termos de construção da personagem”, explicou.

Apesar de partir da obra de Shakespeare, a proposta não apresenta o texto original tal como é habitualmente conhecido. A adaptação introduz alterações na perspetiva das personagens, numa abordagem que dialoga com a proximidade do Dia Internacional da Mulher.

Luís Lino, um dos responsáveis pela adaptação, explica que a ideia passou por inverter papéis e revisitar a narrativa sob um novo olhar. “Estamos perto do Dia Mundial da Mulher e decidimos que o Hamlet seria uma mulher. Transformámos alguns personagens em mulheres, demos a volta ao texto e adaptámos porque a mulher se sente de uma forma diferente, e é essa diferença que gostávamos que o público visse.”

A linha narrativa da história mantém-se, mas vários papéis tradicionalmente masculinos passam a ser interpretados por personagens femininas. Ainda assim, alguns permanecem inalterados.

“Alguns personagens mantêm-se masculinos, como é o caso do rei. A rainha já é feminina, obviamente. Mas o Hamlet e os amigos do Hamlet passam a ser amigas, enquanto a Ofélia foi transformada em personagem masculina”, explicou Víctor de Freitas, acrescentando que “a história é a mesma, as questões são as mesmas, mas a construção da personagem é feita por uma mulher”.

O processo de adaptação do texto original exigiu vários meses de trabalho antes de chegar aos alunos-atores. “Pegar no texto original e transformá-lo demora cerca de dois a três meses. Temos de o estudar bem”, referiu Luís Lino, acrescentando que a peça envolve onze personagens em palco e que cada uma exigiu ajustes na linguagem.

Para os participantes da classe de adultos, o projeto implicou um processo de preparação exigente, que inclui trabalho prático e reflexão teórica sobre teatro. “É uma peça muito trabalhosa e eu sou às vezes o professor um bocadinho mais exigente”, admitiu Víctor de Freitas, sublinhando que os ensaios se intensificaram nos dias que antecedem a estreia.

Para além da dimensão artística, a proposta pretende também convidar o público a refletir sobre temas presentes na obra, como os conflitos e as lutas de poder. “Independentemente de ser uma história trágica, é também uma história sobre guerras e lutas de poder”, disse.

O espetáculo marca a estreia pública do exercício cénico da classe de adultos e, para já, está prevista apenas a apresentação de sábado. Tal como acontece com outras iniciativas da escola de teatro, a entrada é gratuita. “Os espetáculos das classes são sempre de acesso livre, com o apoio do município de Vila Nova de Poiares, que apoia a Companhia de Teatro Experimental de Poiares através de um protocolo”, recordou Víctor de Freitas.

A organização aconselha o público a chegar atempadamente ao auditório, já que os lugares são limitados e as portas serão fechadas no momento do início da sessão.

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