O total de pessoas inscritas no Serviço Nacional de Saúde sem médico de família voltou a aumentar, atingindo 1.563.710 utentes no final de dezembro, de acordo com os dados mais recentes do Portal da Transparência do SNS. Em paralelo, registou-se também um crescimento do número global de inscritos nos Cuidados de Saúde Primários.
Comparando com o mês anterior, em novembro havia 1.557.148 utentes sem médico de família atribuído, valor que subiu ligeiramente em dezembro. Já o número de pessoas inscritas no sistema passou de 10.724.542 para 10.734.672.
Em sentido contrário, diminuiu o número de utentes que optaram por não ter médico de família, passando de 11.760 para 11.743.
Também o universo de utentes com médico de família registou uma pequena subida, aumentando de 9.155.634 em novembro para 9.159.218 no final do ano.
Durante uma audição na Comissão Parlamentar de Saúde, o diretor executivo do SNS, Álvaro Almeida, explicou que, mesmo que todos os médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar estivessem a trabalhar no Serviço Nacional de Saúde, não seria possível garantir médico de família a todos os utentes inscritos.
Situação semelhante ocorre, segundo o responsável, na área da Ginecologia e Obstetrícia. Para assegurar o funcionamento permanente de todas as urgências desta especialidade seriam necessárias cerca de 1.022.000 horas de trabalho médico por ano. No entanto, mesmo com todos os especialistas a exercer no SNS, apenas estariam disponíveis aproximadamente 706.000 horas anuais.
Questionado sobre o balanço entre médicos que abandonam o SNS e os que entram, Álvaro Almeida afirmou que o saldo tem sido positivo. Destacou ainda a publicação recente de um despacho que autoriza a contratação de até 1.111 médicos aposentados ao longo deste ano, um aumento de 41 profissionais face ao ano anterior.