A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) manifestou esta quarta-feira a intenção de desempenhar um papel mais ativo na área da Proteção Civil, defendendo a criação de uma plataforma de solidariedade intermunicipal e o reforço da capacitação dos próprios municípios.
À saída de uma reunião do conselho diretivo da ANMP, em Coimbra, a vice-presidente da associação, Ana Abrunhosa, explicou que o objetivo passa por melhorar a articulação entre autarquias, tanto na prevenção como na resposta a situações de emergência. “A propósito de termos uma proteção civil mais atuante, mais na prevenção, mas também melhor coordenada no que toca às soluções depois das ocorrências, a ANMP reclama um papel mais ativo. Não nos queremos substituir às várias autoridades que já existem na Proteção Civil, mas acreditamos que podemos ter um papel de articulação entre municípios”, afirmou.
Segundo a responsável, tem sido difícil conciliar, de forma rápida e eficaz, as necessidades de alguns territórios com os meios disponíveis noutros. “A Associação Nacional de Municípios pode ser uma plataforma onde se receba informação sobre as necessidades e que canalize a solidariedade para onde as necessidades são mais prementes”, acrescentou, defendendo um sistema organizado que evite contactos dispersos entre autarcas em contexto de emergência.
A proposta passa por criar um mecanismo onde os municípios possam registar as suas necessidades, enquanto outros municípios e as comunidades intermunicipais disponibilizam os meios que podem ceder. “Queremos ser uma plataforma de solidariedade intermunicipal, mas também queremos ajudar à capacitação dos próprios municípios. Faremos isto em profunda articulação com as comunidades intermunicipais, mas reclamamos este papel mais ativo”, sublinhou.
Ana Abrunhosa, que é também presidente da Câmara Municipal de Coimbra, referiu ainda que alguns municípios, sobretudo de menor dimensão, enfrentam dificuldades em aceder aos meios de comunicação social e, por isso, em tornar públicas as suas necessidades. “Queremos ser a voz desses municípios, que muitas vezes não têm acesso a uma televisão, não têm acesso a uma rádio e não podem pedir ajuda. Estas calamidades acentuam ainda mais as assimetrias”, frisou.
No seu entender, é responsabilidade da ANMP representar todos os autarcas, em especial os das autarquias mais frágeis e com menor capacidade de acesso aos decisores políticos.
Todos os distritos de Portugal continental estão hoje e na quinta-feira sob aviso amarelo devido à previsão de chuva, por vezes forte, associada à passagem da depressão Leonardo. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera prevê ainda períodos de precipitação persistente, queda de neve nas terras altas do Norte e Centro, vento forte e agitação marítima, estando o distrito de Vila Real sob aviso laranja para queda de neve e amarelo para chuva e vento.
Portugal enfrenta assim a chegada de uma nova tempestade, numa altura em que ainda existem populações sem eletricidade e a necessitar de apoio, após uma semana de chuva intensa e ventos fortes que provocaram 10 mortes e levaram o Governo a decretar situação de calamidade em 68 concelhos.