Na cerimónia de apresentação de máquinas e equipamentos da ADESA, em Góis, Jorge Custódio defendeu um projeto-piloto de benefícios fiscais para fixar empresas e população no interior. O secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, mostrou abertura à proposta, enquanto o autarca de Góis, Rui Sampaio, pediu apoios urgentes para recuperar áreas ardidas e apoiar a economia local.
A apresentação e exposição de máquinas e equipamentos da ADESA – Associação de Desenvolvimento da Serra do Açor, realizada esta sexta-feira em Góis, serviu de palco para falar sobre a prevenção de incêndios e a valorização do interior.
O presidente da ADESA e da Câmara da Pampilhosa da Serra, Jorge Custódio, sublinhou que a principal causa dos incêndios continua a ser a desertificação: “Se houvesse mais empresas, se tivéssemos mais pessoas, teríamos seguramente mais vigilância, mais fiscalização e mais atividade económica nas florestas. O maior problema não é a falta de meios, é a falta de gente.”
O autarca defendeu a criação de um projeto-piloto nos seis municípios da ADESA: “Um regime fiscal diferenciado e positivo para fixar empresas. Ao fim de cinco anos, avaliamos se teve impacto. É preciso ousadia para experimentar medidas que podem mudar o destino destes territórios.”
O secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, destacou o trabalho conjunto da associação e deixou uma garantia de proximidade: “Este parque de máquinas e a capacidade operacional da ADESA são um grande exemplo. Não só reduziram o impacto dos incêndios, como asseguram a manutenção de acessos e faixas de gestão de combustível. O Governo está empenhado em apoiar e replicar este modelo noutras regiões.”
O presidente da Câmara de Góis, Rui Sampaio, recordou os prejuízos provocados pelos incêndios recentes, que destruíram 570 hectares no concelho, incluindo zonas turísticas: “Tivemos de cancelar a Concentração Mototurística, o maior evento económico do ano, com forte impacto nos comerciantes locais. É fundamental haver medidas que ajudem a recuperar rapidamente a economia do território.”
O autarca acrescentou ainda que a rede viária florestal tem sido prioridade no município: “No atual mandato fizemos cerca de 800 quilómetros de intervenção em estradas florestais. É um trabalho intenso, mas essencial para prevenir tragédias.”
Na cerimónia, foi ainda revelado que a ADESA investiu mais de 1 milhão de euros em novos equipamentos, adquiridos através de um esforço coletivo dos municípios associados, para reforçar a prevenção e a intervenção em áreas florestais de elevado risco.
Segundo os números apresentados por Jorge Custódio, a ADESA dispõe atualmente de um parque de máquinas robusto e diversificado, essencial para o trabalho de prevenção e resposta aos incêndios. No total, a associação conta com três carrinhas equipadas com depósitos de combustível, várias carrinhas de coordenação e apoio técnico, oito tratores com braços de limpa-bermas – aos quais se juntou recentemente mais um –, cinco niveladoras, também reforçadas com mais uma unidade, cinco máquinas de rastos, um porta-máquinas, três giratórias, duas mini giratórias e uma mini escavadora.
No conjunto, este equipamento representa mais de três dezenas de máquinas operacionais, que permitem intervir na beneficiação da rede viária florestal, na gestão de combustíveis e no apoio direto ao combate aos fogos.