Foi esta segunda-feira, 16 de junho, formalizada a assinatura do contrato de empreitada para a construção do novo Centro de Saúde e Serviço de Urgência Básico (SUB) de Arganil, num investimento de 6,2 milhões de euros, dos quais 4 milhões são financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). A obra, com início previsto para julho, terá um prazo de execução de 540 dias.
O novo edifício será construído de raiz na Avenida de São Pedro, junto à capela homónima, na EN 342, em terreno anteriormente ocupado por uma antiga fábrica de resina, entretanto adquirido pelo Município. Para além da construção da nova infraestrutura, está igualmente prevista a reconfiguração da circulação na rotunda adjacente, com o objetivo de melhorar a fluidez do trânsito e garantir um acesso mais seguro à unidade de saúde.
“Uma resposta essencial para os territórios do interior”
Em declarações à comunicação social, o presidente da Câmara Municipal de Arganil, Luís Paulo Costa, sublinhou a importância estratégica do novo equipamento: “O Serviço de Urgência Básico é uma estrutura integrada na Rede Nacional de Urgência e Emergência Médica e dará uma resposta territorialmente abrangente. Não se limita a Arganil: serve também Oliveira do Hospital, Tábua, Góis, Pampilhosa da Serra e parte de Penacova e de Poiares”, referiu o autarca.
À Beira Digital TV, o autarca explicou que “a escolha de Arganil para a instalação deste equipamento foi feita com base em critérios de tempo de acesso e abrangência populacional. Trata-se de uma localização que garante um tempo de resposta eficaz às populações do interior, muitas vezes afastadas dos hospitais centrais”.
Com uma população estimada de 12.200 utentes diretamente beneficiados, a nova infraestrutura irá acolher, num edifício de dois pisos, várias valências: Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP), Unidade de Recursos Assistenciais Partilhados (URAP), Unidade de Saúde Pública (USP), Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC), além do SUB, uma equipa de Suporte Imediato de Vida (SIV), imagiologia, laboratório de análises clínicas e serviços de apoio e direção.
“Descentralizar para garantir equidade no acesso à saúde”
O presidente do Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde de Coimbra, Alexandre Lourenço, destacou o impacto positivo do investimento na coesão territorial: “Temos de pensar os serviços de saúde para garantir equidade no acesso. Este novo equipamento melhora significativamente as condições do Serviço de Urgência Básico e do Centro de Saúde, permitindo também descentralizar serviços que ainda hoje estão concentrados em Coimbra”, explicou.
Alexandre Lourenço afirmou que “a prioridade tem sido qualificar os serviços, através da formação de profissionais, como fizemos com a introdução da triagem de Manchester. Também estamos a apostar na telemedicina, para permitir o acesso a cuidados de saúde mesmo nas freguesias mais distantes da sede do concelho”.
Relativamente à resposta às necessidades dos utentes, Alexandre Lourenço confirmou que está em curso um concurso para a colocação de 12 médicos de família na ULS Coimbra, com especial incidência em Arganil, Tábua e Oliveira do Hospital.
“Sabemos que os equipamentos com boas condições de trabalho são decisivos para atrair e reter profissionais. Este centro vai, sem dúvida, contribuir para isso”, reforçou.
Preparação para o verão e resposta às necessidades sazonais
Com a aproximação da época estival, a garantia foi também deixada de que o SUB de Arganil estará plenamente funcional durante todo o verão. Em articulação com os municípios, a ULS Coimbra está a preparar recursos adicionais para eventos com grande afluência e apela à precaução face à atual vaga de calor.
“Estamos a atravessar dias com índices UV muito elevados. Reforçamos os conselhos de hidratação, evitar exposição solar nas horas de maior calor e acompanhar a informação partilhada nos canais oficiais”, alertou o responsável.
Obra deverá estar concluída no final de 2026
O início da empreitada está previsto para julho, com o autarca Luís Paulo Costa a admitir que poderá ser possível antecipar ligeiramente os prazos, com a conclusão estimada para outubro ou novembro de 2026.
Quanto ao financiamento, embora já estejam contratualizados 4 milhões de euros através do PRR, o município continua a trabalhar junto do Governo para garantir o financiamento integral do projeto: “Assumimos desde já o risco financeiro da diferença que falta, mas acreditamos que o Governo reconhecerá a relevância do equipamento e apoiará a totalidade do investimento”, afirmou o presidente da autarquia.
Este projeto representa um marco importante na requalificação dos cuidados de saúde no interior do distrito de Coimbra, aproximando serviços essenciais das populações e promovendo uma resposta mais eficaz, equitativa e humanizada.