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#15 – Médico de clínica imoral express

Viver numa vila, ou numa aldeia ou até mesmo numa caixa de cartão de um frigorífico no-frost, permite observar muita coisa. Que coisas? Um belo cantar de um melro, a vista da natureza que embeleza as montanhas… e os condutores do Dr. Carlos Jorge. Haaaaaaaa… estou a ver que o caro leitor não conhece o excelentíssimo e galardoado Dr. Carlos Jorge, médico de clínica imor…geral de Caldas da Pipa, freguesia de Velhaco do Pipo. Bem…vou vos contextualizar.

Eu, e a minha equipa, ou seja…eu…fui visitar esta linda aldeia em Trás-os-Montes. E digo trás os montes, porque ficava por detrás de uns montes de fardos de palha jogados no campo do senhor Sidónio. Senhor esse que se predispôs a dar-nos uma entrevista sobre este médico tão conhecido a nível regional, mais precisamente, na zona dele, após eu ter-lhe dado a minha sandes de torresmo. Sacana!

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“Ele era um rapazinho muito pacato!”, expressou nostalgicamente o senhor Sidónio. “Mas também era muito burro. Lembro-me que certa vez estava sentado mais o Joaquim Correia, jogador profissional de damas galardoado com diploma e certificado do IEFP, e o Carlos veio ter connosco. Ele era tão burro! Ele era tão burro que até o meu jumento chamava-lhe de primo. Ao chegar ao pé de nós, pediu-nos dinheiro. Como estávamos sempre na reinação, virei-me para o Joaquim e disse para ele fazer aquele truque. Fazíamos isso sempre todos os dias ao rapaz – ao burro. O Joaquim saca uma moeda de 50 cêntimos e outra de 1 euro e pergunta-lhe “Qual queres?” e o burro levava sempre a de 50 cêntimos e corria para a oficina do pai – uma oficina de automóveis que era muito conhecida na nossa aldeia. Todos na aldeia faziam este jogo com ele. O que nós riamos, pá!”

Após uma escarradela, continuou.

“Só que certa vez, tive um problema no motor do carro e tive de ir ao mecânico. Fui à oficina do pai do Carlos. Ao chegar, o Jorge, que era o pai do Carlos Jorge, disse para o filho: “Vá! Já podes ir brincar!” e ele foi correr logo para o pé dos aldeões a pedir para fazerem o jogo das moedas. Como esta situação já estava a ir longe demais, com pena, virei-me para o pai dele e disse: “Ó Jorge, não sentes algum embaraço pelo teu filho passar esta vergonha? Todos gozam dele! Ele escolhe sempre a moeda de 50 cêntimos!” “Pena?”, exclamou com desdém o pai do Carlos Jorge. Com isso, ele chamou o miúdo. Ao chegar ao nosso pé, eu perguntei com calma “Ó Carlos, tu sabia que a moeda de 1 euro vale mais do que uma moeda de 50 cêntimos? Por isso, da próxima vez, quando te fizerem o jogo, escolhe a moeda de 1 euro e assim mostrarás que és mais esperto do que eles.” Ao que o miúdo responde malandramente e perspicazmente “Mas se um dia eu escolher a moeda de 1 euro, a brincadeira acaba. Quer ver o que eu ganhei nestes últimos anos?” SE NÃO FOSSE O PAI DELE A AGARRAR-ME, EU DESFAZIA-O VIVO, PÁ!”

“Ou seja, ele de burro não tinha nada!”, afirmei.

“Não se fie muito nisso que uma vez vi que lhe enganaram no troco na padaria, por isso, de burro tem um pouco. Por isso, para que o pai continue a ter trabalho na oficina, ele tirou um curso na Universidade Independente para ser médico de clínica geral, especialista em atestados express. Só 50 euros e tens logo o atestado para teres a carta de condução! Nem te auscultam nem nada! De vez enquanto é que ele me faz o teste do PSA, mas pronto… Graças a ele, todos os velhotes aqui da terra continua a ter carta de condução, tanto o Sérgio Ceguinho, como o Gonça Drogado, o Jaime Epilético e eu, o Demente. Quando puder parar de mijar para o seu sapato é só dizer…”

Fugi logo daquela terra de louc…bem-afamados.

Com intuito de comprovar a imorali…a salubridade deste médico, passo a transcrever o juramento por ele proferido na sua tomada de posse de médico de clínica imor…geral:

Ao ser admitido como membro da profissão médica:

  • Juro solenemente consagrar a minha arte ao meu próprio enriquecimento;
  • Guardarei o fluxo contínuo de notas e o apreço dos meus “clientes”;
  • Exercerei a minha prática com a máxima agilidade e discrição, dispensando exames rigorosos;
  • Considerarei o valor do pagamento como a minha primeira prioridade;
  • Respeitarei o segredo que me foi confiado, mesmo perante quaisquer investigações;
  • Manterei, por todos os meios ao meu alcance, a honra mercantil e as práticas clandestinas da minha “profissão”;
  • Os meus colegas serão os meus cúmplices;
  • Não permitirei que considerações de saúde, segurança rodoviária ou legislação se interponha entre o meu dever e a compensação financeira;
  • Guardarei respeito absoluto pelo valor do euro, mesmo que em detrimento da segurança pública;
  • Não farei uso dos meus conhecimentos médicos para proteger a sociedade, mas para maximizar o meu lucro;
  • Faço este juramento solenemente, livremente e pela minha própria honra.

Honra? Poupem-me!

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