A Assembleia Municipal da Mealhada assinalou ontem o 51.º aniversário do 25 de Abril com uma sessão solene marcada por apelos à vigilância democrática e à participação cívica ativa. Durante as intervenções, Carlos Cabral, presidente da Assembleia Municipal, sublinhou que “temos que estar vigilantes e fazer força para que o 25 de Abril se mantenha no seu espírito”, alertando para os perigos que a democracia enfrenta atualmente. Estiveram presentes representantes dos partidos PCP, PSD, PS e Mais e Melhor Movimento Independente, bem como o presidente da Câmara Municipal, António Jorge Franco.
As diferentes forças políticas destacaram as conquistas trazidas pela Revolução dos Cravos, como os direitos laborais, o Sistema Nacional de Saúde e a liberdade de expressão, mas também alertaram para os desafios que ameaçam a sua continuidade. Paulo Pratas (PCP) e Pedro Semedo (PSD) enfatizaram a importância do poder local democrático e da separação de poderes, enquanto Joana Sá Pereira (PS) e André Melo (Mais e Melhor) chamaram a atenção para a necessidade de consolidar a democracia e adaptar as instituições aos tempos modernos, defendendo uma luta contínua contra a erosão dos valores democráticos.
António Jorge Franco lembrou que o 25 de Abril não entregou um país acabado, mas sim a liberdade de o construir, reforçando a importância da participação democrática, sobretudo através do voto. Sublinhou ainda que nenhuma conquista está garantida e que é fundamental que as novas gerações compreendam o valor da liberdade, da diferença e da responsabilidade cívica. “Participar é o verdadeiro coração da democracia”, frisou, a propósito das eleições que se avizinham.
A sessão ficou ainda marcada por um momento de homenagem ao Papa Francisco, com um minuto de silêncio solicitado por Carlos Cabral, que destacou a consonância entre os valores defendidos pelo Papa e os ideais de Abril. Também Joana Sá Pereira evocou o Sumo Pontífice para defender que a democracia deve saber governar a incerteza, apelando à proteção da memória histórica face às ameaças atuais. A cerimónia contou com a presença de autarcas, entidades civis e militares e membros da comunidade local.