NÃO SABES ESTAR QUIETO? Esta frase era-me dirigida de vez enquanto por pessoas que me eram próximas ou por eu estar sempre a jogar com uma bola feita de meias ou quando estava a queimar coisas…dentro de casa. Enfim. Gostos. Mas posso dizer que nunca magoei ninguém…a não ser daquela vez que o meu pé acertou em cheio na bola de meias e ela foi projetada diretamente ao que o meu pai chama de “abono de família” do meu irmão. Ele caiu, ganiu, mas acabou sempre por se levantar…e eu acabei por ter de me esconder no quarto. Lá está…coisas que não fazem mal a ninguém…, penso. Enfim, eu não sabia estar quieto…, mas com coisas que para quem olha de fora diz “ora bem, sim senhor”.
Agora, existem indivíduos que não sabem estar quietos em áreas que…, vamos lá…, que são importantes. Por isso, venho expor a nu um acontecimento grave que foi ocultado da história de Portugal, na qual os nossos jovens estão alienados – o massacre de 1990. Sim, 1990. E não estou a falar da não qualificação da Seleção Nacional para a Copa do Mundo de 1990, embora isso seja um pouco nauseabundo. Estou a falar do massacre do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa em 16 de dezembro de 1990. O que aconteceu nesse dia foi ‘não saber estar quieto’ e ‘mexer em quem estava quieto’, principalmente o c e o p. Embora estas consoantes fossem mudas, não estavam a fazer mal a ninguém e até chegavam a embelezar as palavras. Por favor, notem o exemplo do Firmino, o bêbado mudo lá da terra. Ele não fazia mal a ninguém e estava sempre sossegadinho no banco da paragem do autocarro. Lá de tempos a tempos, emitia certos sons, como “Ahhhh”, “Uhhhh” ou “Ehhhh”. Era um gosto falar com aquele homem! O banco em que se aninhava, com o tempo, mudou de coloração no sítio em que ele se sentava devido a certas micções…mas, pronto…estava quieto e não fazia mal a ninguém. De vez em quando, ele até proporcionava bons espetáculos de dança ao som de muita música imaginária. Posso dizer que vinham autocarros cheios de pessoas de outras freguesias para ver o Firmino a mictar-se ao som de “se você fosse sincera, ohhhhhh Aurora”. Lá está… ele não fazia mal a ninguém porque estava sossegado no seu assento alagado. Agora, pergunto: que mal havia de uma acção, um óptimo, um objecto e de um facto? O que tem contra os mudos, pá?
Outra: e a acentuação? Os tracinhos estavam a estorvar, não? “Ahh, mas como as palavras são muito idênticas na escrita e com significados distintos, foram retiradas porque a possibilidade de confusão era muito baixa”. Ah sim?! Então, vejamos:
O serviço do comboio pára as pessoas!
O serviço do comboio para as pessoas!
Hummmm…, enfim.
Acham isto normal, ó senhores da escrita errática?Ou pensam que este massacre não teve efeito sobre os jovens? Estes infantes viram adultos na sua infância a retirar C’s e P’s de palavras… e alguns tracinhos também. E graças a esses insalubres, neste momento, eles estão a testar um projeto piloto que será lançado em 2030 – um novo acordo ortográfico que eles intitulam de “Agora Sim 2030”. O mandatário deste novo acordo ortográfico, José Gouveia, mais conhecido por Torpedo, já lançou uma nota de esclarecimento sobre este projeto:
“Ent, a ideia do nvo acordo ortográfico de 2030 é mto simples! Se cortarmos alg. palavras, tipo tirar letras q n são precisas, vai ser mt + rápido de escrever e + fácil, n? Tipo, em vez de escrever ‘muito’, escrevemos só ‘mt’ ou ‘tb’ vira ‘tmb’. Assim, poupamos tempo e é + direto, pq td o ppl sabe o q queremos dizer. Já tamos no séc XXI, bora simplificar as cenas, sem essas regras complicadas q só atrapalham. Vamos seguir a pronúncia, e tá feito! Vai ser mt + fácil e rápido, msm!”
Após estas declarações, Luís Vaz de Camões pronunciou-se desde o Mosteiro dos Jerónimos, da seguinte forma:
“Desejo eu, com justa ira e mágoa sentida, que todos os que ousaram macular a minha língua materna, tão pura e ilustre, sejam cobertos de alcatrão negro como a noite e adornados com penas em desprezo merecido, tal castigo lhes sirva de lembrança perene.
E vós, ó míseros e loucos jovens de ânimo leviano, que tamanha afronta celebrais, que vos seja negado até o alívio do corpo por todos os anos em que perdure vossa vã existência. Pois bem fariam em buscar o juízo que vos escapa e honrar a língua que é vossa herança e glória!”
Após isso, piscou o olho.
Tenham, mas é juízo, pá!
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